3. Jogo de Poder

A mídia (jornais, revistas, televisão, internet, rádio) tem o papel de manter a população informada. É necessário que cada pessoa seja crítica, filtrando as informações recebidas, questionando-as, fazendo um contraponto e buscando, na opinião pública, uma opinião própria, particular, com a qual se identifique e na qual acredite. O jornalismo faz um tipo de fiscalização do cenário político e os meios de comunicação influenciam no sistema democrático, de forma positiva ou negativa. Mas como? O que é tudo isso? Política? Vamos entender tudo através do caso Lula.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva puxa votos para o PT e é formador de sucessores no Planalto, mas, nas últimas semanas, o petista foi jogado no meio de um turbilhão das operações Lava Jato e Zelotes, que ameaçam deixá-lo fora da disputa de 2018, o partido via Lula como candidato certo. Um sítio de amigos e um tríplex de luxo reformados por empreiteiras investigadas por participação no caso de corrupção da Petrobras colocaram Lula novamente em uma posição desfavorável. Vale lembrar que não é a primeira vez que o petista tem sua popularidade arranhada por escândalos no partido, apesar de sofrer desgaste durante o mensalão, o ex-presidente escapou quase ileso do episódio, e foi reeleito em 2006.

Uma pesquisa do Instituto Ipsos, divulgada em 9 de fevereiro, mostrou que apenas 25% dos entrevistados consideram o petista honesto. Durante o escândalo do mensalão, 49% acreditavam na honestidade do líder. E não é só, 68% das pessoas acham que Lula não tem moral para falar de ética, (ante 57% em 2005), e 67% disseram que a Lava Jato mostra que o ex-presidente é tão corrupto quanto outros políticos (no mensalão 49% tinham essa percepção). O contexto atual só atrapalha, a péssima avaliação do Governo de Dilma Rousseff, o desaquecimento da economia brasileira e a expectativa de mais um ano de relações tensas do PT com o Congresso, sem contar o surto de doenças com o zika vírus… Tudo isso dificulta a recuperação da imagem de Lula e conquista, pela terceira vez, da presidência.

Entretanto, no meio disso tudo, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo afirmou “acho que setores da oposição, visivelmente, querem isso.” Já há algum tempo em que procuram, a cada passo, atingir o presidente Lula porque reconhecem nele o grande líder que desafia os projetos políticos da oposição. Não tenho a menor dúvida que muitos da oposição se unificam nesta hora para tentar atingir a imagem de um adversário que, politicamente, é muito forte e muito respeitado”, disse o ministro.

A vantagem que Lula sempre teve em relação a seus rivais, desde que foi eleito em 2003, é justamente o imaginário popular sobre o homem que saiu da pobreza para olhar aos mais pobres, entra em curto-circuito neste momento, com essas denúncias e a mídia, que construiu sua imagem, acompanha tudo. Se real ou apenas perseguição política, o fato é que já há quem duvide que o ex-presidente chegue com fôlego para concorrer à eleição em 2018.